Rev. Paul. Pediatr. · 2014
Prevalência de excesso de peso em escolares de Campinas (SP)
Estudo transversal de base escolar que mapeou a prevalência de excesso de peso (sobrepeso e obesidade) entre 3.130 estudantes de Campinas. Os achados mostram um pico preocupante em crianças entre 7 e 10 anos, desproporcionalmente maior do que em adolescentes mais velhos — um sinal de que a janela de prevenção começa mais cedo do que costuma ser priorizado.
Contexto
A epidemia de obesidade infantil brasileira é bem documentada em nível agregado, mas estudos locais com amostras grandes e estratificação etária fina ainda eram escassos na época. O trabalho se propôs a caracterizar a distribuição do excesso de peso por faixa etária, gênero e tipo de escola (pública vs privada) numa cidade de porte médio representativa do Sudeste brasileiro.
Método
Estudo transversal com 3.130 estudantes de 7 a 18 anos, coletados entre 2010 e 2012 em escolas públicas e privadas de Campinas. Classificação do estado nutricional pelo Z-score de IMC segundo os critérios da OMS-2007. Regressão logística multinomial para estimar razões de chance por idade, gênero e tipo de escola.
Achados
- Prevalência global de excesso de peso: 35% — um terço dos escolares.
- Escolas privadas apresentaram prevalência maior (37,3%) do que escolas públicas (32,9%) — padrão consistente com outros estudos de países emergentes, onde o excesso de peso ainda é mais prevalente em grupos de maior renda.
- Meninos com prevalência maior (37,5%) do que meninas (32,7%).
- A faixa etária mais jovem é a mais afetada: 43,5% das crianças de 7 a 10 anos apresentavam excesso de peso, contra 24,5% dos adolescentes de 15 a 18 anos. Em números relativos, o risco de obesidade nos menores foi 4,4× maior do que nos adolescentes mais velhos.
Implicações
O achado central — concentração do excesso de peso nas faixas mais jovens — reforça que intervenções de saúde escolar em prevenção primária devem começar no ensino fundamental, não apenas no ensino médio como ocorre em muitas campanhas de saúde pública. Para o autor, este foi o primeiro contato com metodologia epidemiológica aplicada (desenho transversal, Z-score, regressão multinomial) — uma base que viria a ser reaproveitada no doutorado em custo-efetividade no SUS, quase uma década depois.