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Arq. Bras. Endocrinol. Metab. · 2014

Viés de memória na obtenção da idade da menarca por método recordatório

Título original
The importance of memory bias in obtaining age of menarche by recall method in Brazilian adolescents
Autores
Castilho SD, Nucci LB, Assuino SR, Hansen LO
Revista
Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 2014;58(4)
Instituição
PUC-Campinas — pesquisa de graduação sob orientação da Profa. Silvia Diez Castilho

Estudo metodológico comparando duas formas de se obter a idade da menarca em adolescentes brasileiras — o método recordatório (perguntar à menina depois do evento) e o método status quo (análise estatística por logit). Mostra que o recordatório é confiável apenas nos primeiros anos após a menarca; depois disso, as meninas passam a subestimar sistematicamente a própria idade do evento.

Contexto

A idade da menarca é um marcador importante em estudos de crescimento, nutrição e saúde pública. Estudos populacionais tradicionalmente usam o método recordatório por praticidade: a menina responde "com que idade você menstruou pela primeira vez?". A alternativa metodológica — status quo — pergunta apenas se a menina já menstruou (sim/não) e usa análise logit para estimar a idade mediana da menarca na população. Qual dos dois métodos é mais acurado, e sob quais condições, é uma questão prática relevante.

Método

Estudo transversal com 1.671 meninas de 7 a 18 anos, frequentando escolas públicas e privadas de Campinas (SP) entre 2010 e 2012. Aplicaram-se simultaneamente os dois métodos a cada participante; comparou-se a idade recordada com a idade mediana estimada pelo logit, estratificando por tempo decorrido desde a menarca.

Achados

Implicações

Para pesquisadores que planejam estudos envolvendo idade da menarca, o artigo oferece um critério prático: se a janela de tempo desde o evento for curta, o método recordatório é suficiente; para coortes mais velhas, o status quo produz estimativas menos enviesadas. O trabalho foi produzido como iniciação científica da graduação, com financiamento FAPIC/PUC-Campinas, e usou o mesmo banco de dados do estudo paralelo sobre prevalência de excesso de peso em escolares.