Minerva Oftalmologica · 2020
Nanoftalmo: revisão sistemática do espectro clínico, genética, epidemiologia e manejo
Revisão sistemática reunindo a evidência disponível sobre nanoftalmo — condição rara em que o globo ocular se desenvolve com dimensões significativamente reduzidas, gerando desafios diagnósticos e, sobretudo, cirúrgicos importantes.
Contexto
No nanoftalmo, o olho é anatomicamente pequeno em todas as suas dimensões, resultando em hipermetropia alta, câmara anterior estreita, esclera espessa e segmento anterior amontoado. A combinação dessas características predispõe os pacientes a complicações pouco comuns — glaucoma de ângulo fechado precoce, efusão uveal espontânea ou pós-operatória, edema macular — e transforma qualquer cirurgia intraocular (catarata, glaucoma, vítreo-retina) em uma intervenção de alto risco.
O que a revisão cobriu
- Critérios diagnósticos atuais e definições (nanoftalmo simples, microftalmo, olho pequeno relativo).
- Bases genéticas conhecidas, incluindo mutações em MFRP e outros genes associados.
- Principais complicações espontâneas e cirúrgicas, com ênfase em efusão uveal e fechamento angular.
- Considerações cirúrgicas: escolha de lente intraocular, manejo pré e intraoperatório de pressão, esclerotomias profiláticas.
Achados
A evidência de alta qualidade sobre manejo do nanoftalmo continua escassa: a literatura é dominada por séries de casos e relatos isolados. Consequentemente, condutas permanecem fortemente individualizadas e dependentes da experiência do cirurgião. A revisão identifica lacunas prioritárias — ausência de estudos comparativos entre técnicas cirúrgicas, falta de padronização de critérios diagnósticos e necessidade de registros multicêntricos.
Relevância clínica
Para o oftalmologista que se depara com um caso suspeito, a revisão oferece um panorama organizado do que esperar em termos de complicações, que estudos de imagem solicitar e quais cuidados peri-operatórios são indispensáveis — especialmente importante em cirurgia de catarata, onde o erro refrativo pós-operatório e o risco de efusão uveal são maiores do que em olhos de dimensões normais.